Educação Financeira de um Adolescente

Educação Financeira

O pequeno negócio de Dona Margarida estava quebrando, ela tinha a solução, mas só percebeu após orientar seu filho.

Era uma tarde chuvosa de terça-feira quando um adolescente de dezesseis anos chegou da escola e encontrou Dona Margarida, sua mãe, aos prantos no banquinho da cozinha.

Ela fazia bolos para sustentar a casa, mas estava perdendo dinheiro e não sabia como. Chegou um momento em que sua dívida estava tão alta que não dava mais para continuar. Estava arrasada, decidida a fechar o seu pequeno negócio, quando o filho veio ao seu encontro.

O garoto jogou a mochila no chão e com um abraço de consolo perguntou:

– Mãe! O que houve?

– Vamos ter que parar de vender bolos.

– Por quê?

– Porque estamos perdendo muito dinheiro e não tem mais como resolver esse problema.

– Não fale assim, mãe! – Hoje a professora começou a ensinar educação financeira na escola e disse que não existe problema sem solução.

– Isso é porque ela não viu a nossa situação. – rebateu a mãe.

– Pode ser… Mas ela explicou que nós precisamos conhecer sobre finanças para conseguir cuidar bem do nosso dinheiro, por isso estamos recebendo os primeiros conhecimentos sobre esse assunto na escola. Eu até ia pedir a sua ajuda em uma tarefa que ela passou…

– Ai, filho! Nessa situação eu não quero nem pensar mais em finanças, mas vamos lá. O que você precisa saber?

Aula de Educação Financeira

– A professora mandou a gente pesquisar e explicar o que é ganho, gasto, custo, despesa, preço, lucro e liquidez.

– Puxa! Quanta coisa! Mas acho que posso te ajudar sim, filho. – a mãe levantou do banquinho, enxugou o rosto e foi até a despensa. – Para fazer um bolo eu preciso dos ingredientes, como a farinha, o leite, a manteiga e os ovos, certo?

– Sim, mãe. Mas o que isso tem a ver com finanças? – perguntou o garoto, sem entender.

– O dinheiro que eu gasto para comprar esses ingredientes é o custo.

– Ahh!

– A energia elétrica que eu uso para bater o bolo, o gás que o forno precisa para assá-lo, a água que eu utilizo para lavar a louça, o aluguel da casa, a conta de telefone, entre outras coisas é a despesa.

– Que interessante, mãe! – exclamou o adolescente admirado com a explicação de sua mãe.

– Pois é, filho! Nem eu tinha pensado nisso, mas tudo o que a sua professora disse faz parte do dia a dia da nossa pequena fábrica de bolos. O gasto, por exemplo, é o dinheiro que eu uso para pagar todo tipo de conta deste negócio, seja para comprar os ingredientes ou pagar a água, luz, gás, aluguel e telefone.

– O ganho é tudo o que eu recebo pela venda dos bolos. – continuou a mãe. – Para ter esse ganho eu cobro um valor pelos bolos vendidos, isto é o preço.

– E o que é o lucro?

– É a diferença positiva entre o preço – custo – despesa. – a mãe respondeu.

– E a liquidez? – perguntou o garoto um pouco confuso.

– Como eu vendo à vista e a prazo e compro os ingredientes à vista e a prazo, o dinheiro que entra no caixa menos o que sai é a minha liquidez, que é ter dinheiro no caixa para pagar as contas, sem utilizar cheque especial ou empréstimo.

– Agora estou entendendo! Então eu não posso dizer que o que sobra no caixa é lucro, né? – concluiu o garoto.

– Não pode. Para o cálculo do lucro é feita uma conta onde a venda, o custo e a despesa são contabilizados na data da transação, independente do recebimento ou pagamento. É por isso que eu não posso pegar o dinheiro a qualquer momento, sem verificar se tem alguma conta a ser paga posteriormente. Ele pode fazer falta depois… – a mãe parou a frase como se quisesse falar mais alguma coisa e ficou pensativa, meio aérea.

– O que foi, mãe? – estranhou o garoto.

– É isso! – falou a mãe inesperadamente.

– Isso o quê?

– Como eu não tinha pensado nisso antes! Filho, muito obrigada! – e deu um abraço no garoto, que ficou paralisado, sem ação. – Você trouxe a solução do meu problema!

– Eu?

– Sim. Ao ajudá-lo em seus primeiros conhecimentos de finanças eu me lembrei do que aprendi sobre educação financeira há muitos anos na faculdade e não estava aplicando no meu negócio.

– Puxa! Você acha que vai dar para continuar a vender bolos?

– Acredito que sim, filho. Se eu controlar melhor as finanças não vou mais perder dinheiro. Vou até fazer um fluxo de caixa para controlar o que entra e sai do caixa, assim poderei garantir que terei dinheiro suficiente na hora de pagar as contas. E sobre o preço dos bolos, há muito tempo que eu mantenho o mesmo, sendo que as despesas e os ingredientes já aumentaram várias vezes neste período. Se eu resolver esses problemas conseguirei sair do buraco!

– Bem que a minha professora disse que é preciso conhecer sobre finanças para conseguir cuidar bem do nosso dinheiro. – ressaltou o garoto satisfeito.

– Realmente. Mas essa educação financeira só trará os benefícios que sua professora falou se for colocada em prática. É por isso que a partir de agora vou por a mão na massa não só para fazer os bolos, mas para administrar bem as finanças.

Ambos sorriram e mergulharam em seus pensamentos.

A essa altura da conversa a chuva já tinha parado e um tímido arco-íris podia ser visto pela porta que estava entreaberta.

Ficou apenas o silêncio e a certeza de que suas vidas não seriam mais as mesmas depois daquela tarde.

 

 

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